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Campo activoInvestigação multidisciplinar · Extensão universitária · Later Stone Age · Idade do Ferro · Período Colonial Inicial

Escola de Campo de Ndalambiri

Abrigo de Ndalambiri · Município do Ebo · Cuanza Sul
Resumo

O abrigo sob rocha de Ndalambiri, situado no município do Ebo (província do Cuanza Sul), é um sítio arqueológico de elevada relevância nacional, famoso pelo seu extenso painel de arte rupestre e pela sua complexa sequência ocupacional. Desde 2023, uma abordagem multidisciplinar desenvolvida pela Missão Pré-histórica Franco-Angolana tem vindo a escavar o sítio para integrar os acervos existentes num quadro crono-estratigráfico rigoroso.

Descrição

As investigações documentam ocupações que vão desde a Idade da Pedra Recente (LSA) e a Idade do Ferro (EIA/LIA) até ao período colonial inicial, fornecendo dados inéditos sobre tecnologias (lítica, cerâmica e metalurgia), dietas e interacções culturais no Planalto Angolano.

O sítio arqueológico de Ndalambiri localiza-se num inselberg granítico no município do Ebo. A sua característica principal é uma extraordinária diversidade de vestígios arqueológicos e a presença de uma grande rocha pintada com dezenas de metros de comprimento, contendo cerca de 1200 figuras geométricas, antropomórficas e zoomórficas nas cores branca, vermelha e preta.

A sequência estratigráfica abrange múltiplos períodos históricos e pré-históricos: a Idade da Pedra Recente (com indústrias líticas predominantemente em quartzo), a Idade do Ferro (com produção cerâmica e vestígios de actividades metalúrgicas de forja e redução de minério) e o Período Colonial Inicial (séculos XV a XIX, com evidências de exploração simultânea de fauna doméstica e selvagem).

Objectivos
  1. 01Reintegrar as colecções arqueológicas de Ndalambiri (provenientes de sondagens anteriores da década de 2010 e depositadas no MNARQ) num quadro crono-estratigráfico preciso através de novas escavações e datações radiométricas
  2. 02Investigar as continuidades e transformações tecnológicas (produção de ferro, talhe de quartzo e tradições cerâmicas) e as estratégias de subsistência e uso do meio ambiente durante as Idades do Ferro e o período colonial
  3. 03Garantir a documentação e preservação digital da arte rupestre (fotogrametria e modelação 3D) e promover a formação prática de estudantes e investigadores angolanos através de uma Escola de Campo pedagógica
Metodologia
  • Escavação estratigráfica em dois sectores (escavação planimétrica de 15 m² e trincheira de sondagem de 10 m²) com registo tridimensional e crivagem sistemática de sedimentos
  • Arqueozoologia: identificação taxonómica e estudo de marcas de corte, queima e impacto em restos de fauna
  • Cerâmica: análise tecno-tipológica de milhares de fragmentos para estabelecer conexões supra-regionais
  • Metalurgia: análise macro/microscópica e química de escórias, tojeiras e restos de forja/redução de ferro
  • Tecnologia lítica: análise diacrónica do talhe de quartzo (bipolar sobre bigorna e tecnologia Levallois/lamelar nos níveis antigos)
  • Conservação digital: registo fotogramétrico para modelo 3D do abrigo e das pinturas rupestres
  • Datação por Radiocarbono (C14) e planeamento de Luminescência Estimulada Opticamente (OSL)
  • Pedagogia de campo: aulas práticas com alunos de licenciatura em Ensino da História